Você já sentiu aquela fisgada incômoda no quadril na hora de fazer um agachamento mais pesado ou durante uma corrida? Muitas pessoas acreditam que a dor articular é apenas falta de alongamento ou culpa do impacto do exercício, mas o verdadeiro motivo pode estar escondido no formato da sua estrutura óssea e no funcionamento do seu core.
No novo corte do Pratique + Saúde, que você já pode conferir na íntegra no nosso YouTube e nas principais plataformas de streaming, o fisioterapeuta Ricardo Schröder, especialista em quadril e joelho de praticantes de Super Maratonas e Ironman, detalha como o nosso corpo reage à carga dos treinos.
Se você sente que a sua pelve não está estabilizada e quer entender como voltar a treinar membros inferiores com total segurança, leia este artigo e descubra o que a ciência do movimento tem a dizer.

Homens versus mulheres: quem sofre mais com a síndrome do impacto?
Quando o assunto é a anatomia do quadril, existe uma diferença clara de gênero que define quem vai sentir mais desconforto na academia. A taxa de presença do impacto femoroacetabular sintomático é maior nos homens, porém a mulher sofre mais com o impacto.
Apesar de terem uma menor presença do problema em si, as mulheres têm uma maior presença de sintomas por mais tempo e por mais intensidade. O especialista explica que isso ocorre por questões de disponibilidade muscular e questões anatômicas. As mulheres costumam enfrentar desvantagens mecânicas para alguns músculos pélvicos, principalmente em relação ao glúteo médio (musculatura glútea), que é muito importante na estabilização da pelve, além de possuírem uma maior largura de pelve.
O que a sua pelve diz sobre o seu agachamento na academia
Saber observar o próprio corpo durante a execução do exercício é o primeiro passo para evitar lesões. A estabilidade pode ser avaliada quando a pelve faz as inclinações no plano frontal. Aquela pelve que sobe e desce muito, ou que inclina muito anterior e posteriormente, dá o sinal claro de que a musculatura do core não está trabalhando em sincronia durante os movimentos do indivíduo.
Isso está diretamente ligado ao que a pessoa está fazendo na academia. Quando o aluno vai fazer um back squat (agachamento nas costas) ou um front squat (agachamento frontal) utilizando uma barra com carga, e apresenta esse tipo de desequilíbrio pélvico, isso pode gerar uma sobrecarga na articulação e, consequentemente, dor. É super importante ter essa visão de que as duas populações (homens e mulheres) podem desenvolver esses desequilíbrios, embora a mulher sofra um pouco mais por suas características.
A corrida é realmente a grande vilã do quadril?
Fora da sala de musculação, muitos corredores também se queixam de dores no quadril. O profissional relembra que, no começo de 2001, quando os estudos sobre o impacto aumentaram, era muito comum achar artigos usando populações de corredores que apresentavam lesão labral e dor de impacto femoroacetabular.
No entanto, a ciência atual mostra um cenário diferente. Hoje em dia se entende que a corrida não é um esporte que joga muita demanda sobre a articulação do quadril. Na verdade, a corrida é muito mais nociva em relação ao joelho, ao tendão de Aquiles e ao tendão do calcâneo. O quadril acaba aparecendo nas estatísticas de dor muito mais pelo fato de existir uma população praticante de corrida muito grande do que pela biomecânica do esporte em si.
Assista à explicação completa do especialista
Quer entender exatamente como corrigir a sua postura e fortalecer os músculos certos para acabar de vez com as dores no agachamento? O Ricardo Schröder explica todos os detalhes neuromecânicos no vídeo abaixo.
👇 Dê o play e assuma o controle do seu treino:
💡 Dica amigável da Pratique
A estabilidade é a base da sua força!
- Ative os glúteos antes do treino: Se o glúteo médio é o estabilizador da sua pelve, acorde-o antes de colocar a barra nas costas. Faça séries leves de elevação pélvica ou abdução com band (elástico) no aquecimento.
- Cuidado com o peso excessivo: Se a sua pelve está “dançando” (inclinando para frente e para trás) durante o agachamento, a carga está além do que o seu controle motor suporta. Reduza o peso e foque na técnica.
- Treine o seu core: O abdômen não serve apenas para a estética. Um core forte trabalha em sincronia com o quadril, absorvendo o impacto e protegendo a sua articulação tanto na corrida quanto no leg press.
